sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Sexta, à noite

Hoje correm as horas sem procurarem
um rosto que se distinga na feia luminosidade
da cidade levada pela mão
bêbeda de sinais de trânsito e
cores diversas, mascarando os homens
com uma semi-obscuridade inventada.

Vou atrás de uma mão familiar,
caso contrário será essa a sombra
ébria de intermitente vazio
que me levará a uma festa em Berlim -
da qual nunca mais regressarei
da qual faço intenções nunca ir.

Faço por não recordar Sexta, à noite;
quando era incessante e tinha que ser
vinho mal-digerido de imaturos divertimentos
deixado ao serviço de limpeza da Câmara Municipal,
o 207 apinhado de mitras até Fetais
e às vezes
beijos sôfregos a gente desconhecida.

A mesma gente escondendo uma expressão
que não aprecia,
mas que a noite fez por cobrir
num rosto que em realidade
não sabe exatamente como se é.

Tento apertar a mão familiar
apertando de volta um balãozinho a hélio
inalando uma voz de timbre anedótico
enquanto conta tragédias sem importância

num corpo que só apetece
dançar a música do Bowie
e não voltar nunca mais.

Num corpo que se decide o resguardo
de todas, tantas memórias
e fica escrevendo-se.

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