sábado, fevereiro 13, 2016

O Darma dos Livros

"Antes de se ir embora distribuiu todos os seus livros pelos amigos e a mim, quase sem querer, calhou-me o “Delfim” do José Cardoso Pires. Uma edição raríssima como o seu anterior dono, que alguém já aproveitou pra roubar da minha estante. Também não me posso queixar desse Darma que todos os livros compõem, quantos livros roubados não estão na minha estante. Principalmente quando vou a casa de alguém que deteste e levo uma preciosidade dessas comigo. Risco o nome do anterior dono e ponho o meu por baixo – e fico à espera que se me acalme a briga e torne realmente meu aquilo que levei com raiva e sem perguntar. Às vezes é muito difícil essa leitura porque necessita de um perdão e sei que é imbecilidade achar que isso é coisa imediata; ou que livros assim me enriquecerão. Não deixa de ser vontade de ter um pouco a mão de Deus e fazer uma justiça da maneira que mais me aprouver. Realizando que a justiça divina, igualmente silenciosa como um ladrão, consegue ser mais original e regida de verdadeira eficácia: roubam-me os livros roubados."

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