terça-feira, fevereiro 02, 2016

Leituras

Adormeces perto de todas as minhas leituras;
quieto na cama enquanto a madrugada
invade com as palavras do Manuel António Pina
e todos os textos mais que a leitura te perturbará,
sem que a desconsideres, fazendo-lhe um lar
que um dia será tempo dessa liberdade cronológica.

Espero, quando vais para longe e sou eu quem fica;
interrogando-me acerca de um ponto numa verso
ou a verdade das coisas escritas, sem saber
a importância de tudo aquilo que se decide não tear:
os teus pés enleados nos meus, quotidiano em quadricula
formulando a irrelevância de toda a literatura.

Nunca as noites foram tão profundas
ou a sensação do silêncio num ensurdecedor poema
que tu, ao meu lado, confortas
respirando profundamente cada abismo
em que a leitura quieta se detém, intercedendo
pelo sono errante em que esta cama nos dispõe.

Tu ao lado de todas as questões Universais,
sonhando-lhes uma vida de respostas simples
para a ansiedade de um sono frugal
que morre na manhã seguinte. Onde descansa
em paz o livro, à cabeceira de todas as noites.

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