sábado, janeiro 23, 2016

S. José

O que poderia a escrever, de facto:
uma arruaça às portas de S. José
e um estranho nevoeiro invadindo
a luminosidade quando chegava grave.

Lá dentro vinha um novo medo:
uma paixão incurável chegando ao sistema
pedindo-lhe ajuda para a inquietude

alguém parece conhecer a partícula da felicidade
e os outros, somos cobaias da normalidade.

O que poderia escrever de facto:
o cansaço na sala de espera
enquanto alguém perde humanidade,
dormindo a ressaca no chão
de S. José.

Amor, só, nunca será suficiente:
o aleatório não escolhe ninguém
e todos os contextos são viáveis
até nos momentos que não desejamos ser.

Escrevendo de facto,
os nossos motivos parecem-se
na dimensão mais crua da realidade,
como corpos estirados ao carinho
cansado da sua busca.

Nesse estranho desencontro o tempo passa
encaminhando da saúde para a incapacidade;
e alguém morre como um passarinho
rezando, entre os queixumes alheios
de mártires dolorosamente vivos.

De facto,
pousei a minha cabeça sobre o teu ombro
na esperança de curar
como só as mulheres curam,
adormecendo a vida
dentro da casa de Hipócrates.

Sem comentários:

Enviar um comentário