terça-feira, janeiro 26, 2016

Fortune–tell


Na medida que a noite vai
pelo caminho desaprendo alguém,
desculpa, não era eu quem procurava
cedendo à mais perversa da solidão.

Não era intermédio de Deus falando
através de sinais intermitentes na realidade,
ensinando construções de abstração tridimensional
poemas exaltados sobre a nossa condição humana,

mas frágil e de beleza vulnerável:
se ao menos nenhuma palavra minha
te ferisse, como poderia aspirar
essa felicidade simples, mas
sem ti.

Vejo o presságio aproximando-se
da mão feminina que não me pertence
e vibra as coisas que se apagam
demasiado cedo, demasiado febris
para o entendimento lasso do tempo.

Uma senhora disse-me que era assim mesmo,
estamos no final dos tempos:

quando as mulheres usarem calças,
as terras forem repartidas
e os homens falarem sozinhos.


O aviso cabia numa mensagem
que estou sempre a reescrever e a apagar,
como se devesse eloquência
à vida,

porque outra razão haveria de trabalhar
debruçada na contemplação?

Ou terei encontrado a fracção correcta
saindo-me uma decisão na rifa
que me recuso a comprar ao cego do Campo Grande,

num número infinito perseguindo-me
como se corresse da boa sorte de modo
a livrar-me da ignorância.


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