segunda-feira, janeiro 25, 2016

Lunáticos


A mulher indiana apertava-me a mão
dizendo, "karma não, bom darma";
abandonava a clínica cinco deixando-me
uma rosa que conversava sem parar
um amor platónico por um amigo de infância.

A doença aproximava-se como fogo
ardendo o coração como se fosse
a ponta de um cigarro na epiderme.

Não sou eu quem está lá e há
uma grande tristeza entre os camaradas,
esperando com ansiedade
o primeiro cigarro da manhã.

Ou a noite quente de Setembro
sobre uma lua única olhando para nós
cheios de uma conversa que lhe parece,
como se fosse casa de um êxtase

e o meu amigo dizendo "preciso de uma namorada
maníaco-depressiva"
e dava-me uma vontade de rir
e toda a gente se ria daquela infelicidade.

Trocava-se um breve carinho, ainda a tempo
de ler um breve poema finalmente livre,

aprender uma frase num dialeto Africano
porque ali sou bem-vinda a qualquer casa.

Sem comentários:

Enviar um comentário