quinta-feira, janeiro 21, 2016

LFO - Freak


Viver correndo o tempo até ao seu final;
para que nada seja demasiado cedo
ou se torne pavio curto de uma carta última.

O tempo no seu próprio final;
não aquele redigido a partir do presente,
encurtando a vida com uma ninharia.

Ligar o mapa de navegação automática;
e calhar a falha humana no engenho
ou uma tragédia familiar a bordo da sociedade.

Rasgar o mapa com as mãos no peito;
acrescentar mais um linha
no intangível.

Atingir os limites da além-super-vivência;
irmos a qualquer lado
não importa onde.

O Livro Tibetano dos Mortos largado na cabeceira;
curando o medo da hypnagogia,
aliviando sobretudo a insónia.

Devolver alguma dignidade ao feio;
porque o há em qualquer homem
morrendo pela estrada.

***

Um interesse súbito no vazio de alguém;
o anúncio publicitário brilhando
a cidade noite fora.

This isn't Paris, nem nada se lhe parece;
não somos só coisas belas
e predestinadas.

A realidade ofusca o futuro desnecessário;
é um padrão desenhado no interior
do quotidiano doméstico.

Não somos só a biologia ausente de si mesma;
também há amor para dar,
daquele que é feio e sofre.

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