domingo, janeiro 24, 2016

Fotogramas


Descaracterizar o brilho da fotografia de 1992;
sei-me já a viver cores inventadas
para carregar de expressividade
a mais primária melancolia.

Outras crianças parecem sorrir a mesma tragédia;
brincando alegremente a vidas possíveis
e a ficção seja uma breve lembrança do que é a morte

talvez o meu olhar indique algo longínquo,
demasiado grande para os anos contados.

Abraço com força a árvore-mãe da Quinta;
chorando uma espécie de compromisso,
para as pessoas que nunca deixam de pertencer

não vale meter só a conversa em dia
se os dias refletem  a ambiguidade
do tempo presente.

Se nos parecemos tanto e estamos tão distantes;
não vai servir olhar para trás
e procurar o que ficou por dizer,

a minha história é literatura de cordel
para senhoras ociosas e solitárias.

Tento contar de perto uma desilusão essencial
aproximando-me de um entendimento,

regra geral, um modo de convenção social
teimando rir a imbecilidade de gestos desaprendidos.

Onde ficou o rosto de mentiras honestas,
traindo a realidade com uma moral
própria dos contos de fada

notando-se o pequeno rasgo de loucura
dançando o Vinil no repeat.

Sou uma criança que só desarruma,
não brinca, não joga, não gosta de coisas,

sente feição pelo que já está partido
e quer cuidar qualquer coração,
exceto o seu.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Bosco, a par da minha mãe, deves ser dos que mais me lê. É energia para escrever, obrigada*

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