quinta-feira, julho 30, 2015

Reflexo

A beleza cansada de uma ficção
inunda devagar a banheira
com os pulso cortados de uma
mulher demasiado bela.
A tragédia também é um golpe de sorte
e o sofrimento,
a felicidade num movimento perpétuo.
Buscava a raspadinha sorteada,
a palavra certa numa mensagem,
o momento exacto em que o prazer não precederá,
tudo demasiado tarde para
admirar o rosto num espelho partido.
Os amantes sucedem-se em diálogos
respirando um último amor
na perfeita solidão da hora mais nefasta:
e nos trinta minutos que se seguiram
admirou-se como Narciso
e no reflexo da água tingida
observou a face que deixava de ser sua.
O olhar côncavo e moribundo
beijava a fidelidade da memória
que se esvaía através do tempo;
e na falta dele inventou de novo
um dia distante junto ao Atlântico
e o corpo arrastado pela maré
arrefecendo o nome de alguém
que tarda sempre a chegar.

quarta-feira, julho 29, 2015

Janela

O elétrico faz a volta da memória
e escrevo na esperança de encontrar
a rua súbita, o bar demorado
e a felicidade na janela entreaberta:
do lado de lá fazemos amor embriagados.
O Tejo fulgura um último suspiro
e um final triste no filme pornográfico:
Estou só nas margens de um livro
como um verso amputado do poema
ou o coração no lado errado do peito.
Esqueço na esperança de perder
a tua rua, o whiskey amargo,
a janela com vista para o Tejo:
uma promessa pouco lúcida de amor.
Os anos passam e com eles vai-se
a nobreza do primeiro amor,
o trânsito vai-se e vem-se
na sensualidade da fachada velha
e do lado de lá da janela
consome-se heroína e fast-food.
As imagens sobrepõem-se
reinventando uma vida nova
para o desgosto de amor:
A rua de alguém, a embriaguez da humanidade,
a janela com vista para o Sena
a Marijuana do Norte da Europa,
a cadência ritmada dos corpos em movimento.
Espreito pela janela e vejo
todos os rios do mundo
e em todos os homens, o teu olhar lânguido.
Perco qualidades a cada minuto
de delírio e angústias urbanas.
A escrita arrefece como uma pedra,
lanço a pedra à água esperando
ouvir o eco do ricochete
e mais um novo poema sobre o desespero
e toda a humanidade perdendo
a mulher nua debruçada sob o parapeito.

terça-feira, julho 21, 2015

Bipolar II



Randomly streets are above
Your eyes. You sit silent
taking your prescription
while dreaming about
a new city, a new life.
And you're so lost
So lovely sad.
I would amuse your ways
but we got stuck
in your medical advice.
There's no illness
without some kind of love,
and I feel so pleased
about your melancholia.
Strangers come across
regarding poetry and whiskey
and that's the only joy
that life takes from you.
I've never tried sweetie,
your salvation comes in a box of pills
and no matter the man
You still lack clarity
running away from life
at the same speed as your thoughts.
We are much faster
and this kind of tenderness
could make you suicidal
or way happier for a moment only.