terça-feira, março 10, 2015

Laranjal ao relento


João

O meu amor dorme o sono inocente
das crianças;
Esperamos juntos por amanhã
Pois vai um longo Inverno
e a casa está fria sem 
A nossa presença.
Dormimos os dois sonhos culpados
A infância é injusta
de gomos de laranja 
e tragos de areia veranil.
Ocupamos suavemente esse lugar
no corpo pesado e medicado
que afago como um piano,
Fazemos música noite fora
ele dormindo o sono maldito
dos insones; enquanto 
a sua mulher viaja no silêncio.

O Ecrã nunca se desliga
e a música não pára. 
Pela primeira vez
um momento de felicidade
onde dói mais, soprando
para que a ferida estanque
e sejamos a cicatriz profunda -
resistindo nestes corpos
por envelhecer; um ao lado
do outro, respirando calmamente
a mesma incerteza da juventude.