terça-feira, julho 29, 2014

I


Quantos dias passaram, querido verso.
Já contava mais de meses
Desde a minha última partida.
As flores roxas do ano passado
Murcharam dentro de livros,
Vendi-as a cartomantes -
Gente velha que acredita
No poder da narrativa:
O melhor futuro jamais contado.

Conto pétalas, destroço-as,
O vento levará em segredo
A morte das rosas -
o karma nunca perdoa
E desta vida nada mais quero do que ser flor.

A flor é um cadáver belo,
Afinal, tenho de me ver belo quando morra,
Talvez assim alguém chore,
Talvez alguém me ame.

Talvez alguém me imortalize
Entre as páginas atafulhadas
de poemas -
Quem sabe numa próxima vida não sou uma palavra.