terça-feira, junho 18, 2013

falámos demasiado na surdez das palavras
e fomos ilhas abandonadas numa cidade onde não ecoava nenhum toque.
talvez um dia sejas capaz de entender outra forma de loucura
que não os teus olhos, a almofada onde repousas a cabeça,
a falta de coração do mar.
gostava de te ensinar a melancolia das palavras, o som de um regresso, o vazio dos aeroportos e o horror ao vazio dos diários em branco.
gostava de te ensinar tudo isto e no entanto serás sempre tu,
serão sempre as tuas mãos, 
os dividendos de um tempo onde nunca existi.

segunda-feira, junho 10, 2013

April was the best Month

Vi pendentes as flores de Abril
Não eram lírios, eram cravos.
Ouvi aquela música triste,
Uma longa canção
Que falava de amor e intervenção.
E cheio de nostalgia Abriste
As cartas que te levaram o coração.
Mas as palavras já falavam
Desta casa, deste quarto
Onde dormes acompanhado
Pela infância justa
Do primeiro beijo -
Nesses lábios que já beijavam
A miúda e a sua pequena Revolução.
Tinha 14 anos e uma mão cheia
De teorias: para acabar com a
Pobreza e Poluição -
Vivi, no entanto,
Toda a vida magra e suja,
Só para inventar o nome de um Poeta
E ser infeliz como ele -
E ser feliz como eu.
Agarro nesse grito
Para fazer campanha
A favor da Poesia -
Estico a bandeira e toda a gente vê:

Amo-te.