Vens e aos poucos transformas-te numa onda perfeita,
Enrolas o sol e as estrelas e levas tudo contigo,
Sem saber bem atiro-me ao mar, esqueço-me de que não sei nadar
Asfixio, tentando desesperadamente vir à superfície
Tentar respirar o ar que preciso mas não consigo,
Morro como as ondas que quebram na areia e espalho-me em ti,
Como se areia fosses.
Leva-me a memória para isto não doer tanto,
Faz de mim um porto solitário que sou
Uma ilha abandonada que se inundou e hoje que se afunda em ti,
Se não me deres um frasco com pirilampos não saberei voltar para casa,
Será que quero voltar para casa?
E no entanto a tua língua tem as palavras mais plenas e eu deixo-me levar na tua loucura.
Deixo-te entrar pelo meu corpo dentro, fazer de mim a tua zona de rebentação
Mesmo que queira sair, agora já não há saída,
Eu quero levantar-me e tu não deixas e se tento rebentas em mim.
Ontem à noite construí muitos países, tatuei-os nas costas e esperei por ti,
Com esperança que me levasses a algum deles.
Ontem levaste-me à Patagónia.
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