sexta-feira, novembro 19, 2010

Ambiente

O azul incandescente, sofre de
Luz e filmes - Quase Noir, Quase sexo
Quase amor. Por enquanto disperso
Num velho universo de significados,
A única maneira de me solucionar
Será habituar-me ao que é novo,
Ainda que os ambientes me agridam;
As luzes, as cores, os semáforos,
A música da rádio, incham cá dentro
Por tudo te pertencer . E de ti:
Meu deus, De ti só faço suposições.
O hábito, porque existem livros e pianos,
Trata-se de uma cama - E eu, sempre ensonada,
Deito-me, beijo, volto a cabeça
- O Ego dos amantes espelhados
Em edredons bonitos, enrolado,
Narcolépticos do tempo. A doerem-me despedidas
Porque dormir, dizem-me ser um bem-essencial:
Como o Amor - Felizmente existem livros,
Os pianos e o quase - O é desta -
Os medicamentos - Os Cabrões - As Putas -
O Ego - Mais o Medo:
Quase que sim, paralelo mundo,
É da próxima, já amanhã, que volto:

Mas desta vez durmo na rua,
Eu, os livros e o piano.

domingo, novembro 14, 2010

The Eternal

Às vezes, pela manhã o café entorna
Molha-me as cuecas à espera
Do cigarro; Mais dos pensamentos
Porque os meus amantes querem todos morrer,
Menos tu - Logo tu que conheces bem
O valor da desistência & me ganhaste
Numa Slot Machine. Nessa noite
Não existiam cafés abertos
E a tua insónia tornou-nos
Parasitas do amor; Andámos a cidade
Inteira à procura de uma casa
Mas apenas tivemos direito
Aos jornais de distribuição gratuita.
O Prof. Mamadou estava capaz de curar,
Mas não existiam problemas:
Só o fantasma da minha Titi,
Com o seu guarda-jóias a falar
Coisas estranhas acerca da solidão.
Nem assim houve consenso
A cama já estava mais que desfeita
E tu a prometeres o prazer ao diabo
Coisa que se afigurou indisponível:
O contrato falava de amor,
Não de companhia.

Tudo o que estava disponível
Já vinha gasto e pela metade -
Avariaram-se-me os sonhos, Merda
Tinha que devolver tudo à última
Da hora, e os talões onde
Te dedicava o corpo em poemas:
Acho que se perdeu tudo; Excepto
O baralho de Tarot poisado
Nas mãos, no trautear das músicas
Inventando, Ao ponto de beijar
Todos os teus Arcanos sedentos
De infância e cheiros. Como daquela
Era uma vez duas princesas e
Uma Bruxa - Deixa-me acabar a história:
Percorremos a cidade, insónes
E tu já antes paravas nos bordeis
Eu servia de prémio, mas o contrato
Falava de amor, não de sorte,
Merda - Perdeste o bilhete
Em que te saiu o demónio,e agora
O teu carro ouve Lisboa em
Todas as estradas, e eu tenciono
Abandonar o Leito do Tejo
E partir, Parir um novo Rio
& Viajar para sempre.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Está por todo o lado

O Ruído de Fundo

A música dos chocalhos entre corta
Dois abraços estranhos, Na cama vai imperando
Solidão e restos de um último suicídio.
Seria esse som nostálgico:
As caixas de música da infância
Em acordes de gemidos
Pois o sexo serviria como a um berço
Do amor recém-nascido.

A Flor Selvagem

Poderia existir uma melhor forma
De te mostrar como barrar as torradas,
Nunca te apercebeste que a manteiga se desfazia
E no final, era como se nunca
Nos tivéssemos dado ao trabalho de amar.
Ainda assim comemos juntos
Todos os pequenos-almoços do mundo:
Nos quartos de hotel ficavam sempre
As rosas de madeira que me oferecias,
A medo de veres murchar o teu caule verde.
Mas todos os dias
Te mostrei ser capaz de cuidar;
E de tanto cuidar
A terra servia à falta de manteiga:
Cegamente floresceste
E agora que te vejo partir
Reparo nos teus ramos.

E o jardim que tanto cuidei é afinal
Uma floresta.