sexta-feira, setembro 25, 2009

S&M

Where did we burn?
In the midst of leftover wonders
And sunny afternoons in city parks.
But today is not a good day for anything,
So I ended up drinking too much
And leaving everything else for tomorrow.

I sat in your body
Listening to Karma Police in the distance:
"I Lost myself"
In the day's insufficiency.
And now, the hours whip me,
Time muzzles my mouth,
Cristallizing sex
In blades of undeniable desire
And lack of hope.

Tomorrow morning
I'll drown my face in cold water
Remembering that the cure is an ilusion,
Even if I break my fingers in the piano,
Even when the nigth was
A bed we never slept at.

And this is not a poem.
It's a self-harm tool.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Outono



Eu talvez quisesse mais do que ele. Mas não foi isso que eu fui. Jamais as horas poderiam fazer mais por nós do que aquilo que fizeram. Foi bom, mas a cidade está a amanhecer e nós não somos mais do que dois desconhecidos. Acende-me um cigarro. Não queria contar-te com todas as palavras, pois estas gastam tempo. Nem quis silenciar-me. É o meio-termo que estrangula o espaço em que vivo. Como sempre encontro-me a caminho, e como sempre sei que mais uma vez não vou acabar. Talvez amanhã acorde e seja de já noite. E aí, mesmo que os segundos valessem anos, invariavelmente eu voltaria ao ponto de partida de uma outra estrada qualquer. Olha como os meus lábios não se mexem, nem os meus olhos são capazes de chorar. Olha como me movimento através dos teus braços e não és tu quem eu vejo. Vê como sou feita desta matéria estranha e me queimo tanto, mas nem assim sou capaz de me fundir noutro corpo. Passa-me o vinho. Hoje não seria um bom dia para nada, mas acabei por caminhar do lado da rua em que caminho sempre. Hoje sai de casa sem expectativas e voltei com mais um casaco nas costas. O verão está-se a acabar, felizmente para mim e para ele a estação do frio é sempre mais agradável. Pois geralmente já costumo encher a alma com frieiras nas estações mais quentes. Para ele porque o sol simplesmente lhe queima a pele. E numa altura dessas, em que as folhas caem tristes das árvores através de uma avenida inteira, saberei que poderemos caminhar do lado oposto da rua. De mãos dadas. As horas, os segundos transformados em milésimos. Não me apetecia acabar esta refeição. Nem me apetecia transformar mais um texto de amor em solidão. Simplesmente não me apetecia nunca ter saído de casa para vaguear, e encontrar-te algures numa morada já esqueci. Ainda assim consome-me a impaciência de lhe poder tocar nos ombros. Naqueles onde também já crescem centímetros de roupa, onde a incompreensão nos afasta. Porque ficamos no meio-termo da falta de comunicação. Mas tu que vives no eterno relento é quem eu tenho medo de ver passar nu diante da multidão. Porque às vezes até os nossos melhores sonhos se tornam realidade, quanto mais os piores. E ainda ontem gritei por um nome até me doer o corpo, e mesmo assim, no meio de tanta gente, não fui capaz de ouvir o meu de volta. Fingi uns quantos orgasmos na tua companhia, e até na companhia dele. Porque talvez o melhor amor seja esse mesmo: aquele que um dia julgamos vir a alcançar. E se eu pudesse ser mais que os segundos? E se eu fosse as folhas, os casacos, a poluição da cidade? Por tudo isso, e algo mais daria a vida. Gostava até mesmo de ser um texto com o título de Outono, ou tua amante para noites frias. Ou silêncio eterno dos amantes que se desencontraram no mundo. Ou… Não interessa. Sinceramente não interessa porque já passou e pela frente temos agora o Natal. E as pessoas já estão a preparar antecipadamente a felicidade, sem se importarem com quem ficou para trás. E eu posso fazer o mesmo, prometo-te. Promete-me tu apenas que vais fazer silêncio se uma noite me vires caminhar semi-nua. Se um dia me vires perdida dentro de casa a pedir informações a um fantasma:

Para que lado, para que lado fica a praia?

quarta-feira, setembro 16, 2009

Pass me the wine; I’ve been alone for so long,

And now the only thing I can do

Is drink useless words

Because tomorrows I’ll only have this train

Leading me to somewhere else

I can’t call home.

sábado, setembro 05, 2009

Cocaine

Poderia estar errada, Se ouvi
Se cheirei do mesmo lugar que tu
Ao longe as flores, as estradas
Que nos levam de volta
Até nós.

Se os teus olhos a raiar
As minhas mãos cobertas de pó
Foram a persistência
A cada linha de ferris
Atravessada Só
Para te alcançar.

Se as minhas pernas
Pousam brancas sobre a mesa
Onde encostas a face
Em que os teus lábios
Beijariam os meus,
Se eu fosse feita de madeira..

Se a música está longe
E o bar cheio é um corpo só;
Se me encosto às tuas costas
E o teu nome é um resistente
Da minha violência:

Porque insisto em debruçar-me,
E de ti,
A neve ser apenas branca,
E o amor,
Apenas um vicio.